Os anúncios recentes do Presidente Donald Trump sobre tarifas comerciais globais têm contribuído para um aumento significativo da volatilidade nos mercados bolsistas. As exportações destinadas aos Estados Unidos deverão estar sujeitas a tarifas de 10% ou mais, o que levou à retaliação por parte de outros países e gerou receios quanto a uma possível guerra comercial global, aumento da inflação e desaceleração económica generalizada.
Este cenário é claramente desfavorável para os mercados de ações, que dependem do crescimento económico. Naturalmente, os investidores, receando os impactos negativos, começaram a vender as suas posições em massa, o que resultou em quedas acentuadas nas bolsas a nível mundial.
Perdas nos Mercados Globais até 7 de Abril de 2025 [1]:
- S&P 500: Queda de quase 6%
- Nasdaq: Queda de 5%
- FTSE 100: Queda de quase 5%, atingindo o nível mais baixo dos últimos 5 anos
Na Ásia:
- Nikkei 225 (Japão): -7,8%
- Kospi (Coreia do Sul): -5,6%
- ASX 200 (Austrália): -4,2%
- Hang Seng Index (Hong Kong): Chegou a cair 12,5% durante a abertura
Para se ter uma ideia da dimensão do impacto: apenas o S&P 500 perdeu cerca de 5 biliões de dólares norte-americanos em dois dias de vendas após o anúncio das tarifas [2].
Embora seja difícil determinar com precisão o destino deste capital, analistas apontam que uma parte significativa poderá ter sido redireccionada para ativos tradicionalmente reconhecidos como ativos refúgio.
O que são ativos refúgio?
Os ativos refúgio são instrumentos financeiros que historicamente mantêm — ou até aumentam — o seu valor durante períodos de turbulência nos mercados. Os investidores recorrem a estes ativos como forma de proteger os seus portfólios face à incerteza e, potencialmente, limitar as suas perdas.
Os ativos refúgio apresentam-se sob várias formas, desde ações e ETFs até metais preciosos como o ouro, moedas estáveis e obrigações de elevada qualidade. Exploraremos estes exemplos com mais detalhe mais adiante.
Apesar de pertencerem a diferentes classes de ativos, os ativos refúgio partilham algumas características em comum, nomeadamente:
- Correlação nula ou negativa com a economia em geral, o que significa que tendem a valorizar-se ou a manter-se estáveis quando os restantes mercados caem.
- Oferta limitada, tornando-os mais resistentes à inflação ou à desvalorização.
- Procura constante, independentemente das condições económicas.
- Permanência, o que significa que não se degradam facilmente nem são substituíveis.
Porquê negociar ativos refúgio?
A principal razão para negociar ativos refúgio é proteger o seu portfólio contra quedas nos mercados.
Estes ativos tendem a mover-se de forma independente dos ciclos macroeconómicos, mantendo ou até aumentando o seu valor quando outros ativos estão sujeitos a perdas. Por esse motivo, são frequentemente integrados em estratégias de diversificação, pois o seu comportamento tende a contrastar com o de outros instrumentos durante períodos de instabilidade.
Além disso, muitos ativos refúgio apresentam movimentos de preço dinâmicos, oferecendo oportunidades de negociação próprias. Estas oportunidades tornam-se ainda mais relevantes quando os investidores, em busca de segurança, começam a concentrar-se nesses ativos — provocando uma maior procura e, consequentemente, pressão ascendente nos preços.
Quando ganham popularidade os ativos refúgio?
Os ativos refúgio tendem a ganhar maior popularidade nos períodos que antecedem e durante as correções de mercado. Para evitar o impacto psicológico de ver os seus investimentos a perder valor, muitos investidores optam por vender os ativos em queda e redirecionar o capital para instrumentos que preservam melhor o seu valor.
Esta transferência de capital pode ser intensificada por manchetes alarmistas sobre “colapsos” e “quedas acentuadas”, que alimentam ainda mais o medo entre os investidores — levando muitos a abandonar os mercados em baixa de forma precipitada.
Ativos Refúgio Populares a Acompanhar
Ouro
Um dos ativos refúgio mais populares de sempre é o ouro. Devido à sua escassez, quantidade limitada e propriedades únicas, este metal precioso é amplamente reconhecido como uma reserva de valor.
O ouro é valorizado não apenas por investidores particulares, mas também por investidores institucionais e bancos centrais. Em 2024, a contínua incerteza global e a inflação persistentemente elevada levaram os bancos centrais a prolongar o seu ciclo de compras de ouro, com as aquisições a ultrapassarem as 1.000 toneladas pelo terceiro ano consecutivo. Ao mesmo tempo, o investimento anual em ouro aumentou 25%, atingindo 1.180 toneladas — o nível mais alto dos últimos quatro anos [3].
Alguns analistas, como os da Goldman Sachs, prevêem um possível aumento no preço do ouro de até 8% em 2025 [4]. No entanto, estas previsões são de natureza especulativa, sujeitas a alterações significativas, e não devem ser consideradas como base para decisões de negociação.
Por sua vez, o HSBC reviu a sua previsão para o preço do ouro, apontando para 3.015 USD por onça em 2025 e 2.915 USD por onça em 2026 [5]. É fundamental lembrar que todas as projeções de preços são incertas por natureza e refletem apenas a opinião das instituições num determinado momento.
Ações e ETFs defensivos
Um dos principais atributos dos ativos refúgio é a procura consistente que mantêm, mesmo em períodos de queda nos mercados.
Determinadas ações demonstram esse comportamento e são conhecidas como ações defensivas. Estas ações tendem a oferecer rendimentos estáveis, lucros consistentes e fluxos de caixa resilientes, independentemente dos eventos externos.
As ações defensivas mantêm os seus preços relativamente estáveis, mesmo em contextos de elevada volatilidade ou incerteza económica. Isto deve-se à procura inelástica pelos seus produtos e serviços. Por exemplo, mesmo com o aumento dos preços, os consumidores continuam a comprar bens essenciais, como alimentos ou produtos de higiene — pense em supermercados, por exemplo.
Exemplos comuns de acções defensivas incluem:
- Bens de consumo essenciais: marcas alimentares e de bebidas, supermercados, produtos de higiene pessoal e doméstica.
- Saúde: empresas farmacêuticas, fabricantes de vacinas, biotecnologia, ciências da vida e dispositivos médicos.
- Serviços de comunicação: operadores de telefone e banda larga, fornecedores de 5G e WiFi, empresas de media e publicidade.
- Serviços públicos: fornecimento de eletricidade, gás e água, produtores de energia independentes, entre outros.
De forma semelhante, os investidores podem recorrer a ETFs defensivos para proteger os seus portfólios contra riscos de mercado. Estes fundos de investimento replicam o desempenho de cestos de ações defensivas líderes de mercado.
Exemplos populares de ETFs defensivos incluem:
- iShares Edge MSCI Min Vol USA ETF (USMV) – Foca-se em ações de baixa volatilidade, permitindo manter exposição ao mercado acionista com menor risco.
- Fidelity MSCI Utilities ETF (FUTY) – Inclui empresas como NextEra Energy (NEE) e Duke Energy (DUK), fornecedoras de eletricidade a milhões de americanos.
- Vanguard Consumer Staples ETF (VDC) – Dá ênfase a empresas de bens de consumo essenciais, em vez de utilidades.
Nota: Estes ETFs são exemplos amplamente referenciados no mercado e não devem ser interpretados como recomendações de investimento. Realize a sua própria análise ou procure aconselhamento financeiro independente.
Obrigações do Tesouro com Notação AAA
As obrigações do Estado são instrumentos de dívida que oferecem um retorno fixo ao longo do seu prazo. São amplamente consideradas como um dos investimentos mais seguros disponíveis, especialmente quando emitidas por governos estáveis com economias saudáveis.
Durante períodos de recessão ou instabilidade nos mercados, os investidores tendem a procurar obrigações devido à sua baixa volatilidade e natureza de baixo risco. Isto deve-se ao facto de o capital investido ser reembolsado na data de vencimento, o que torna este tipo de investimento praticamente garantido.
Além disso, as obrigações apresentam uma relação inversa com as taxas de juro, o que pode beneficiar o investidor. Para estimular uma economia em desaceleração, os governos podem reduzir as taxas de juro. Como o rendimento das obrigações está diretamente associado a estas taxas, as obrigações recentemente emitidas passarão a oferecer um juro mais baixo — tornando as obrigações mais antigas, com taxas mais elevadas, mais atractivas no mercado secundário.
Moedas Refúgio Seleccionadas
Algumas moedas com elevada liquidez, baixa inflação e sistemas políticos estáveis podem funcionar como refúgios seguros durante períodos de desaceleração económica.
Tradicionalmente, uma das moedas refúgio mais populares é o dólar norte-americano, devido ao seu estatuto como moeda de reserva mundial e à força da economia dos Estados Unidos. No entanto, face ao risco de uma guerra comercial global, o dólar poderá sofrer uma volatilidade acrescida, o que pode comprometer temporariamente o seu papel como ativo refúgio.
Existem, no entanto, outras moedas refúgio que os investidores podem considerar.
Uma delas é o franco suíço, que tem mantido esse estatuto graças à histórica neutralidade política da Suíça e à sua política fiscal rigorosa, reforçada pelo compromisso do Banco Nacional Suíço em garantir a estabilidade da moeda.
Outra opção é o iene japonês, amplamente reconhecido como moeda refúgio devido à dimensão da economia japonesa e à sua elevada liquidez nos mercados financeiros. Apesar dos elevados níveis de dívida pública, o iene beneficia do superavit na conta corrente do Japão, o que proporciona suporte adicional em tempos de crise económica.
Nota: Os exemplos acima não constituem recomendações de investimento. O desempenho passado não garante resultados futuros.
Dicas para Negociar Ativos Refúgio
Compreenda o mercado
Apesar de serem considerados ativos refúgio, estes instrumentos podem, ainda assim, apresentar volatilidade e comportamentos inesperados. Antes de investir, é fundamental estudar e compreender o funcionamento do mercado relacionado com o ativo refúgio que pretende negociar.
Escolha o momento certo para entrar no mercado
Uma particularidade dos ativos refúgio é que, se esperar demasiado tempo, corre o risco de entrar quando os preços já estão sobrevalorizados. Isto acontece porque, à medida que a crise económica se agrava, a procura por estes ativos aumenta — elevando os seus preços.
Por isso, é essencial definir metas de preço realistas e utilizar ordens de stop-loss e take-profit em níveis adequados para mitigar o risco.
Adopte uma visão de longo prazo
Evite apostar tudo de uma só vez. Lembre-se de que as correções de mercado fazem parte do ciclo natural dos mercados financeiros e, a longo prazo, o mercado tende sempre a recuperar. A história tem demonstrado isso repetidamente.
Tenha também em conta que, quando os investidores correm para os ativos refúgio, a volatilidade nestes mercados pode aumentar, criando incerteza adicional. Seguir essa tendência pode não ser a melhor decisão para todos. Investidores com objetivos de longo prazo podem beneficiar mais em manter as suas posições, permitindo que o mercado se reequilibre com o tempo.
Conclusão
Para quem procura aprofundar os seus conhecimentos sobre diversificação de portfólio, os ativos refúgio são frequentemente estudados pelo seu papel histórico durante períodos de instabilidade nos mercados. A Vantage disponibiliza uma vasta gama de CFDs, incluindo pares de forex, ações, ETFs e obrigações — entre os quais se incluem ativos considerados refúgios seguros, especialmente no contexto atual de tarifas comerciais.
Através dos Contratos por Diferença (CFDs) da Vantage, poderá obter exposição aos movimentos de preço destes ativos sem necessidade de os possuir diretamente. No entanto, os CFDs são produtos alavancados que envolvem um elevado nível de risco para o seu capital. Certifique-se de que compreende os riscos envolvidos e avalie se está em condições de assumir o elevado risco de perda.
A Vantage oferece spreads competitivos, comissões reduzidas e suporte ao cliente 24/5. Abra já uma conta real e comece a negociar com confiança.
Referências
- “Asian stocks see their worst drop in decades after Trump tariffs – BBC”. https://www.bbc.com/news/articles/c934qzd094wo . Accessed 7 April 2025.
- “Dow, S&P 500 end wild session lower, Trump digs in on tariffs – Reuters”. https://www.reuters.com/markets/us/futures-plunge-sp-500-eyes-bear-territory-market-rout-worsens-2025-04-07/ . Accessed 7 April 2025.
- “Gold Demand Trends: Full Year 2024 – World Gold Council”. https://www.gold.org/goldhub/research/gold-demand-trends/gold-demand-trends-full-year-2024 . Accessed 7 April 2025.
- “Gold prices are forecast to rise another 8% this year – Goldman Sachs”. https://www.goldmansachs.com/insights/articles/gold-prices-are-forecast-to-rise-another-8-percent-this-year . Accessed 7 Apr 2024.
- “Deutsche Bank raises average gold price forecasts for 2025 and 2026 – Reuters”. https://www.reuters.com/markets/commodities/hsbc-raises-gold-price-forecasts-amid-geopolitical-tensions-2025-04-03/ . Accessed 7 Apr 2024.


